Sociedade de Diabetologia apela à ministra para normalizar a distribuição de bombas de insulina

A Sociedade Portuguesa de Diabetologia (SPD) voltou a apelar ao Governo, através da Ministra da Saúde, para que seja normalizada e agilizada a distribuição de bombas de insulina no Serviço Nacional de Saúde (SNS). O pedido da sociedade médica surge após várias queixas de doentes com diabetes tipo 1, que têm enfrentado dificuldades no acesso a este dispositivo médico fundamental para o controlo da doença.

O atraso na distribuição de bombas de insulina, essencialmente nas unidades públicas de saúde, tem criado um cenário de incerteza para os pacientes, que dependem destes dispositivos para a sua terapêutica. A SPD, juntamente com outras associações de doentes, tem pressionado o Ministério da Saúde para resolver a situação com urgência, argumentando que o atraso pode ter consequências graves na saúde de milhares de portugueses.

A importância da bomba de insulina no tratamento da diabetes tipo 1

As bombas de insulina são dispositivos eletrónicos que permitem a administração contínua de insulina ao longo do dia, de forma mais precisa e controlada do que as tradicionais injeções de insulina. Este equipamento é especialmente importante para doentes com diabetes tipo 1, uma vez que o seu pâncreas é incapaz de produzir insulina, uma hormona essencial para o controlo dos níveis de glicose no sangue.

A utilização de bombas de insulina tem vindo a mostrar resultados positivos no controlo glicémico e na melhoria da qualidade de vida dos pacientes. Estudos indicam que os pacientes que utilizam bombas de insulina conseguem evitar grandes flutuações nos níveis de açúcar no sangue, reduzindo assim o risco de complicações como hipoglicemias graves ou hiperglicemias prolongadas. Além disso, estas bombas oferecem mais flexibilidade na vida diária dos doentes, ao permitirem um melhor ajuste da quantidade de insulina consoante a alimentação ou atividade física.

Por estas razões, a SPD defende que o acesso a este tipo de tecnologia deve ser garantido a todos os doentes elegíveis, conforme as diretrizes clínicas atuais, sem os entraves burocráticos e logísticos que têm vindo a ser reportados nos últimos meses.

Queixas sobre atrasos e falta de equipamentos

Nos últimos anos, o número de doentes com acesso a bombas de insulina através do SNS tem aumentado, contudo, vários relatos de atrasos na distribuição e na substituição de equipamentos danificados têm vindo a preocupar os profissionais de saúde e associações de doentes. Em 2023, o Ministério da Saúde comprometeu-se a aumentar o número de bombas disponíveis, mas as dificuldades na aquisição e distribuição continuam a ser uma barreira.

Um dos problemas apontados é a falta de coordenação entre as diferentes unidades de saúde e os fornecedores de bombas de insulina. Segundo fontes da SPD, em alguns hospitais, o processo para a atribuição de uma bomba de insulina a um doente pode demorar meses, o que coloca em risco a saúde dos pacientes. Além disso, a manutenção e substituição dos dispositivos, que têm uma vida útil limitada, nem sempre é feita de forma atempada, o que gera receios de complicações nos doentes que dependem exclusivamente destas bombas para o controlo da diabetes.

A SPD já alertou para o facto de a falta de acesso a bombas de insulina poder aumentar a procura por serviços de urgência e internamentos hospitalares, situações que poderiam ser evitadas com um tratamento adequado e contínuo. A sociedade médica sublinha que a diabetes tipo 1 é uma doença crónica que exige cuidados permanentes e que qualquer interrupção no fornecimento de insulina pode ser perigosa, levando a complicações graves, como cetoacidose diabética, que pode ser fatal.

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Reivindicações da SPD e de associações de doentes

A SPD não é a única entidade a manifestar preocupações quanto a este tema. Diversas associações de doentes, como a Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP), têm vindo a apelar por uma maior transparência no processo de aquisição e distribuição das bombas de insulina. Estas entidades sublinham que a saúde dos doentes não pode ficar refém de questões administrativas ou financeiras, e que o Governo deve priorizar a resolução destes problemas.

Em resposta a estas reivindicações, o Ministério da Saúde, através da Ministra Marta Temido, anunciou no início do ano que estava a trabalhar para melhorar a distribuição de bombas de insulina e outros dispositivos médicos. Contudo, até agora, não foi apresentada uma solução concreta que alivie as preocupações dos doentes e profissionais de saúde.

O presidente da SPD, o Dr. João Raposo, reiterou que a sociedade médica está disponível para colaborar com o Ministério da Saúde na busca por soluções que garantam o acesso equitativo e contínuo a bombas de insulina para todos os doentes com diabetes tipo 1. Ele também lembrou que os avanços na tecnologia médica têm de ser acompanhados por uma gestão eficiente e célere, que coloque o bem-estar dos pacientes em primeiro lugar.

O impacto da pandemia na distribuição de dispositivos médicos

A pandemia de COVID-19 agravou o problema da distribuição de bombas de insulina, uma vez que o foco dos serviços de saúde esteve voltado para a resposta à crise sanitária. Muitos processos relacionados com a aquisição de dispositivos médicos não essenciais foram adiados ou desacelerados, o que contribuiu para o atual cenário de escassez.

Apesar de a fase mais crítica da pandemia já ter passado, os efeitos nos sistemas de saúde ainda se fazem sentir, com atrasos na reposição de stocks e na normalização dos processos logísticos. Contudo, para os doentes com diabetes tipo 1, este atraso é visto como inaceitável, dado o impacto direto na sua saúde e na sua capacidade de gerir a doença.

Caminho para uma solução

O apelo da SPD à Ministra da Saúde é claro: é necessário normalizar e acelerar o processo de distribuição de bombas de insulina para que os doentes com diabetes tipo 1 possam ter acesso ao tratamento adequado sem enfrentar obstáculos desnecessários. Embora o Ministério tenha reconhecido o problema, ainda não foram tomadas medidas efetivas que resolvam a questão a longo prazo.

As associações de doentes e os profissionais de saúde aguardam com expectativa um desfecho positivo para esta situação, que, segundo eles, afeta diretamente a qualidade de vida de milhares de portugueses. A falta de acesso regular a bombas de insulina é um problema grave que precisa de ser resolvido rapidamente para evitar complicações futuras nos cuidados de saúde aos diabéticos.